.. quatro e dois.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Vejo, sinto: tento.
I
Vejo tanto do mundoVejo tanto do outro
Vejo tanto da vida
E a vida passa por mim.
Sinto tanto por tudo
Sinto tanto, por nada
Sinto o vento da estrada
E quem nunca mais voltou.
II
Toco tanto as cordas, o violãoToco aquela canção
Toco tanto do tanto de tudo
E perco, perco o lugar seguro.
Quero rever o tempo
Quero renascer das cinzas
Quero sonhos e ilusões
De uma alma que não se cansa.
Não se cansa de tentar.
IX.
É sofrimento que corrói
Ferida que não sara
Dor que não se acaba.
Tudo o que se foi:
O que ainda vai existir?
A levíssima embriaguez de mentir.
Ferida que não sara
Dor que não se acaba.
Tudo o que se foi:
O que ainda vai existir?
A levíssima embriaguez de mentir.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Do outro lado da linha.
Do outro lado da linha tem uma respiração. Uma respiração forte, cansada. Uma respiração que sonha imagens tão belas quanto a retina de quem a possui. Do outro lado da linha a respiração dorme. Um sono pesado, inesperado. Um sono solto de quem descansa contra a vontade. Do outro lado da linha a respiração se torna mais intensa, o fôlego mais longo, o ar mais pesado. A respiração sente frio e nos sonhos tenta se aquecer. Do outro lado da linha as horas passam e o ritmo uniforme de cansaço e vontade continua mesclado na respiração. Uma respiração que agora resmunga baixo, delira em meio ao sono sons incompreensíveis. Do outro lado da linha a respiração se remexe, inquieta, busca o conforto anterior e ainda busca o calor. A respiração ainda sente frio, mas mantém a força, distante. A respiração de desenvolve forte, longa, cansada na sua incansável busca por ar. Do outro lado da linha a respiração canta uma melodia de tons agudos e graves de oco ar, tons condensados de luta por descanso. A respiração canta a melodia da alma. Do outro lado da linha a respiração pesa mais, aumenta mais, torna-se mais. A respiração anseia algo mais. Do outro lado da linha a respiração luta e atinge seu ápice cansado, tom alto de tanto tentar manter o ar nos pulmões em lindo fluxo de inspirar e expirar vontade. A respiração busca o conforto, o calor, busca o ar que preenche tudo com toda sua força. E então morre, a linha cai. Do outro lado da linha é onde eu queria estar.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Don't touch me.
07.04.2011
Não me toque! Tire suas mãos de mim! Não me toque com sua pele, suas palavras, seu modo de agir. Não me toque com suas mentiras, suas verdades não ditas, suas farsas tão bem criadas. Não me atire suas frases, não me lance seus pontos, que de contos o meu inferno está lotado. Não tente me amedrontar que é do medo que eu caminho lado a lado. Não me venha com virtudes, que todas elas eu renego. Não me venha com seu sangue, que o meu explode em minhas veias e escorre sobre a minha pele. Eu não quero esses seus olhos, eu não quero essa sua voz de anjo caído. Eu consigo ver em você o que ninguém mais vê, eu vejo o negro no fundo da sua alma. Não me venha com desculpas, eu as devolvo. Não me venha implorar, eu te recuso. Não me venha com belos versos e frases decoradas, eu não vejo suas emoções. Não me venha com seu discurso, eu já vi você o ensaiar mil vezes em frente ao espelho.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Eu gosto de te ouvir.
Eu gosto de te ouvir dizer que me ama. Pretensão, talvez. Ninguém exige amor de ninguém, muito menos amor declarado. Mas eu gosto, e eu até chego a pedir que me diga. Enche os meus ouvidos e me aquece o coração, os olhos imploram por fechar e sentir a sinfonia que toca incessante dentro de mim com simples três palavras. Três palavras tão gastas nas línguas pagãs atuais, mas tão sinceras proferidas dos teus lábios ou ditas no teu olhar. Tanta pretensão a minha, exigir involuntariamente que repita que me ama só para sentir essa paz, esse aconchego, esse caos confortável e pleno dentro de mim. O que eu te dou em troca? Olhos de criança sem jeito, um sorriso tão mais tímido e um singelo “eu também te amo” tão engasgado que só respirar fundo não o ajuda a sair. O que eu te dou em troca? A sinceridade desse engasgo que tem medo de te assustar se sair tão forte quanto o amor que trago. A sinceridade por trás do medo tão bobo de perder a razão pela qual eu preciso que a sinfonia toque. Não mais que isso, eu te dou em troca a ingenuidade das minhas palavras que vêm reaprendendo a ser reescritas nesse amor tão mais saudável, tão diferente das outras ilusões tão falsas. Eu venho reaprendendo por estar com você. Ceguei-me, eu não vejo o resto do mundo, e eu te ofereço a minha cegueira, eu te estendo a minha mão para que me guie na tua luz. Eu te ofereço o que eu não tenho, os meus sonhos e as minhas verdades criadas. Eu te ofereço tudo que eu sou, o bem e o mal de mim, a minha doença e a minha cura. E mais do que oferecer, eu te entrego, eu te dou tudo o que se tem mais receio em entregar. Eu te peço, por favor, aceite o meu coração, aceite o meu amor.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Pleonasmos e contradições: nenhuma coerência.
Tento em vão entender o incompreensível. Tento, inutilmente, explicar o inexplicável. Tento, com desatento, unir os pólos opostos que nessa realidade fria não se atraem, tão imutavelmente certos como semelhante atrair e encontrar semelhante. A repetição das mesmas idéias exacerbadas nos mesmos semblantes. Os óbvios indizíveis tão claros na retina apagada. A luz do escuro que pouco se move, o tudo e o nada constantes em cada assombro impenetravelmente fascinante de cada descoberta solta. O eclipse das idéias, as contradições do tempo. Eu não sei te explicar, como tão bem não me explico. Tão confusa nas tuas simplicidades, tão imersa nos teus envoltórios. E tento, tento e não consigo, e desisto, e aceito de bom grado o presente que o próprio presente me faz ter. Sou piegas e me perco nas dúvidas infantis, eu que ainda me assombro nos pleonasmos e me surpreendo nas contradições tão reversas, nos pedaços incompletos dessa completude imaculável. Assim como a doença que em si encontra a cura do próprio mal, o mal que renasce nas próprias cinzas como o bem maior. Fênix obscura que queima, inflama e ressurge mais bela, no peito. Na escuridão de longas batidas, na luz de batidas mais desesperadas por sentir, eis que sentimos, nessa desistência de entendimentos, nos pleonasmos de nós mesmos, nas contradições do que pensamos. Serendipidade nem tão casual assim. Fogo e gelo em plena colisão. Dessa contradição pleonástica, eu tiro o talvez tão certo em sua dúvida shakespeariana.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Invictus, by William Ernest Henley
Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate;
I am the captain of my soul.
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