Tento em vão entender o incompreensível. Tento, inutilmente, explicar o inexplicável. Tento, com desatento, unir os pólos opostos que nessa realidade fria não se atraem, tão imutavelmente certos como semelhante atrair e encontrar semelhante. A repetição das mesmas idéias exacerbadas nos mesmos semblantes. Os óbvios indizíveis tão claros na retina apagada. A luz do escuro que pouco se move, o tudo e o nada constantes em cada assombro impenetravelmente fascinante de cada descoberta solta. O eclipse das idéias, as contradições do tempo. Eu não sei te explicar, como tão bem não me explico. Tão confusa nas tuas simplicidades, tão imersa nos teus envoltórios. E tento, tento e não consigo, e desisto, e aceito de bom grado o presente que o próprio presente me faz ter. Sou piegas e me perco nas dúvidas infantis, eu que ainda me assombro nos pleonasmos e me surpreendo nas contradições tão reversas, nos pedaços incompletos dessa completude imaculável. Assim como a doença que em si encontra a cura do próprio mal, o mal que renasce nas próprias cinzas como o bem maior. Fênix obscura que queima, inflama e ressurge mais bela, no peito. Na escuridão de longas batidas, na luz de batidas mais desesperadas por sentir, eis que sentimos, nessa desistência de entendimentos, nos pleonasmos de nós mesmos, nas contradições do que pensamos. Serendipidade nem tão casual assim. Fogo e gelo em plena colisão. Dessa contradição pleonástica, eu tiro o talvez tão certo em sua dúvida shakespeariana.
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