Eu gosto de te ouvir dizer que me ama. Pretensão, talvez. Ninguém exige amor de ninguém, muito menos amor declarado. Mas eu gosto, e eu até chego a pedir que me diga. Enche os meus ouvidos e me aquece o coração, os olhos imploram por fechar e sentir a sinfonia que toca incessante dentro de mim com simples três palavras. Três palavras tão gastas nas línguas pagãs atuais, mas tão sinceras proferidas dos teus lábios ou ditas no teu olhar. Tanta pretensão a minha, exigir involuntariamente que repita que me ama só para sentir essa paz, esse aconchego, esse caos confortável e pleno dentro de mim. O que eu te dou em troca? Olhos de criança sem jeito, um sorriso tão mais tímido e um singelo “eu também te amo” tão engasgado que só respirar fundo não o ajuda a sair. O que eu te dou em troca? A sinceridade desse engasgo que tem medo de te assustar se sair tão forte quanto o amor que trago. A sinceridade por trás do medo tão bobo de perder a razão pela qual eu preciso que a sinfonia toque. Não mais que isso, eu te dou em troca a ingenuidade das minhas palavras que vêm reaprendendo a ser reescritas nesse amor tão mais saudável, tão diferente das outras ilusões tão falsas. Eu venho reaprendendo por estar com você. Ceguei-me, eu não vejo o resto do mundo, e eu te ofereço a minha cegueira, eu te estendo a minha mão para que me guie na tua luz. Eu te ofereço o que eu não tenho, os meus sonhos e as minhas verdades criadas. Eu te ofereço tudo que eu sou, o bem e o mal de mim, a minha doença e a minha cura. E mais do que oferecer, eu te entrego, eu te dou tudo o que se tem mais receio em entregar. Eu te peço, por favor, aceite o meu coração, aceite o meu amor.
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