Eu gosto de te ouvir dizer que me ama. Pretensão, talvez. Ninguém exige amor de ninguém, muito menos amor declarado. Mas eu gosto, e eu até chego a pedir que me diga. Enche os meus ouvidos e me aquece o coração, os olhos imploram por fechar e sentir a sinfonia que toca incessante dentro de mim com simples três palavras. Três palavras tão gastas nas línguas pagãs atuais, mas tão sinceras proferidas dos teus lábios ou ditas no teu olhar. Tanta pretensão a minha, exigir involuntariamente que repita que me ama só para sentir essa paz, esse aconchego, esse caos confortável e pleno dentro de mim. O que eu te dou em troca? Olhos de criança sem jeito, um sorriso tão mais tímido e um singelo “eu também te amo” tão engasgado que só respirar fundo não o ajuda a sair. O que eu te dou em troca? A sinceridade desse engasgo que tem medo de te assustar se sair tão forte quanto o amor que trago. A sinceridade por trás do medo tão bobo de perder a razão pela qual eu preciso que a sinfonia toque. Não mais que isso, eu te dou em troca a ingenuidade das minhas palavras que vêm reaprendendo a ser reescritas nesse amor tão mais saudável, tão diferente das outras ilusões tão falsas. Eu venho reaprendendo por estar com você. Ceguei-me, eu não vejo o resto do mundo, e eu te ofereço a minha cegueira, eu te estendo a minha mão para que me guie na tua luz. Eu te ofereço o que eu não tenho, os meus sonhos e as minhas verdades criadas. Eu te ofereço tudo que eu sou, o bem e o mal de mim, a minha doença e a minha cura. E mais do que oferecer, eu te entrego, eu te dou tudo o que se tem mais receio em entregar. Eu te peço, por favor, aceite o meu coração, aceite o meu amor.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Pleonasmos e contradições: nenhuma coerência.
Tento em vão entender o incompreensível. Tento, inutilmente, explicar o inexplicável. Tento, com desatento, unir os pólos opostos que nessa realidade fria não se atraem, tão imutavelmente certos como semelhante atrair e encontrar semelhante. A repetição das mesmas idéias exacerbadas nos mesmos semblantes. Os óbvios indizíveis tão claros na retina apagada. A luz do escuro que pouco se move, o tudo e o nada constantes em cada assombro impenetravelmente fascinante de cada descoberta solta. O eclipse das idéias, as contradições do tempo. Eu não sei te explicar, como tão bem não me explico. Tão confusa nas tuas simplicidades, tão imersa nos teus envoltórios. E tento, tento e não consigo, e desisto, e aceito de bom grado o presente que o próprio presente me faz ter. Sou piegas e me perco nas dúvidas infantis, eu que ainda me assombro nos pleonasmos e me surpreendo nas contradições tão reversas, nos pedaços incompletos dessa completude imaculável. Assim como a doença que em si encontra a cura do próprio mal, o mal que renasce nas próprias cinzas como o bem maior. Fênix obscura que queima, inflama e ressurge mais bela, no peito. Na escuridão de longas batidas, na luz de batidas mais desesperadas por sentir, eis que sentimos, nessa desistência de entendimentos, nos pleonasmos de nós mesmos, nas contradições do que pensamos. Serendipidade nem tão casual assim. Fogo e gelo em plena colisão. Dessa contradição pleonástica, eu tiro o talvez tão certo em sua dúvida shakespeariana.
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