Do outro lado da linha tem uma respiração. Uma respiração forte, cansada. Uma respiração que sonha imagens tão belas quanto a retina de quem a possui. Do outro lado da linha a respiração dorme. Um sono pesado, inesperado. Um sono solto de quem descansa contra a vontade. Do outro lado da linha a respiração se torna mais intensa, o fôlego mais longo, o ar mais pesado. A respiração sente frio e nos sonhos tenta se aquecer. Do outro lado da linha as horas passam e o ritmo uniforme de cansaço e vontade continua mesclado na respiração. Uma respiração que agora resmunga baixo, delira em meio ao sono sons incompreensíveis. Do outro lado da linha a respiração se remexe, inquieta, busca o conforto anterior e ainda busca o calor. A respiração ainda sente frio, mas mantém a força, distante. A respiração de desenvolve forte, longa, cansada na sua incansável busca por ar. Do outro lado da linha a respiração canta uma melodia de tons agudos e graves de oco ar, tons condensados de luta por descanso. A respiração canta a melodia da alma. Do outro lado da linha a respiração pesa mais, aumenta mais, torna-se mais. A respiração anseia algo mais. Do outro lado da linha a respiração luta e atinge seu ápice cansado, tom alto de tanto tentar manter o ar nos pulmões em lindo fluxo de inspirar e expirar vontade. A respiração busca o conforto, o calor, busca o ar que preenche tudo com toda sua força. E então morre, a linha cai. Do outro lado da linha é onde eu queria estar.
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