“[…] Só me perdi num estupor sem pensamentos, prendendo-me com todas as forças ao torpor que me impedia de perceber o que eu não queria.” Stephenie Meyer
É a eloquência ritmada de uma dor lancinante que se perde em meio a uma voz alta cheia de efervescência ao ler em alto e bom tom o capítulo 8 de um livro pródigo. São letras sobre amor em queda, recaído, se é melhor cair de vez ou manter-se preso ao chão. Mas já não importa tanto assim quando a corda te prendeu suspenso no meio do abismo. O copo meio cheio para subir, o copo meio vazio para descer. Aquela combinação de pontos cinzas na visão quando a respiração vai aos poucos se perdendo. Um, dois, três, quatro... Um, dois, três, quatro... E o sangue jorra de uma garganta que gritou demais para ser deixada em paz, jorra de um pulso que pediu que o coração aguentasse a dor. Aquele torpor de não sentir nada, nem dor, nem paz; nem frio, nem calor; nem sonhos, nem pesadelos; nem sorrisos, nem lágrimas; nem nada... E o torpor aumenta a cada segundo sem sono, a cada respiração que faz o coração saltar, a cada pensamento de perda sem antes ter ganho. Somente o torpo; sem dor, mas sem nada mais. De que vale não sentir nada se na mediocridade do torpor não se sente mais nada, nem as batidas de um coração quebrado de tanto se manter vivo? De que vale todo o torpor de vencer a dor, se o que não se sente mais também é o que se queria sentir? Sem dor, sem nada...
Nenhum comentário:
Postar um comentário